Já passava das cinco da tarde quando o funcionário dos Correios entregou ao prefeito municipal um telegrama. Naquela época, o telégrafo era o meio mais rápido de comunicação na pequena cidade do interior da Paraíba.
Tratava-se de uma missiva enviada pelo Tribunal de Contas do Estado, solicitando, com urgência, a presença do mandatário na corte Estadual para esclarecer pendências na prestação de contas do município.
Bem, ordens do Tribunal teriam que se cumpridas. Imediatamente convocou o tesoureiro para uma reunião a fim de organizar os documentos (recibos, notas fiscais, empenhos, cópias de cheques, etc.), necessários para comprovação dos recursos aplicados.
De posse de uma mala repleta de papéis, devidamente organizados, acelerou o velho Jeep 1957 e rumou para João Pessoa. A viagem era longa, mas estava tranqüilo, o tesoureiro, seu filho mais novo, era um rapaz competente, o mantinha no cargo, apesar das intrigas da oposição, por merecimento.
Após quatro horas de viagem, atravessando buracos e atoleiros, o prefeito sentiu vontade defecar, parou o veículo e segurando as calças enveredou pelo o mato, esquecendo de fechar a porta do Jeep.
Depois de meia hora de cagada, ao retornar a estrada, foi surpreendido com um jumento triturando, com seus dentes afiados, toda a documentação contábil.
Depois convencer o animal a se retirar, juntou o resto de papéis: rasgados, amassados, babados, e continuou a viagem.
No dia seguinte, ao ser indagado no Tribunal sobre as falhas contábeis existentes no balanço, ele explicou: fiz tudo certinho, pois não aceito corrupção no meu governo, e posso afirmar com toda segurança aos senhores: a culpa é do jumento.

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