| Cai Cai Balão |
São João de Campina Grande. Antes de começar o show de Flávio José, aproveitando a folga, dois garis dançavam no pátio vazio do Parque do Povo. O som amplificava os sucessos de Flávio e os dois amigos, já calibrados, trocavam passos, ora engraçados, ora acertados. Era um malabarismo só e somente suas alegrias conseguiam decifrar o momento. São João. Padroeiro dos dois.- Nasci no dia 24 de Junho, purisso mãe butô João Batista, o Batistinha. Apresentava-se o mais baixo. - Nasci no dia vizin, do lado cá, no dia 23, quaje partino pr’outro dia, João de Sousa, conhecido pru Juãzin Piaçava. Eram muitos amigos apesar dos bairros diferentes. Batistinha do São José, Piaçava do Zé Pinheiro. Naturalmente um era Treze, e o outro, Campinense, mas o São João os unia, e dançavam juntos e provocavam as dançarinas das quadrilhas em arrumação, e ouviam desaforos e não ligavam pra nada. Faziam piruetas e cantavam erradas as cantigas imortalizadas na voz do Caboclo Sonhador, nas letras de Maciel Melo e Flávio Leandro. - Pia Batistin, tao sujano o chão de propósio. Ô povo rin! - Vamo dançá in riba pra ispaiá o lixo. Abriam os braços, cantavam alto e desafinado, até serem percebidos por uma equipe de Televisão que tinha vindo do Sul do país para cobrir o evento. Os dois dançando, o cinegrafista tentando enquadra-los, o cabo-man arrumando uma posição, o repórter buscando no quengo o texto, de repente, os dois param. Batistinha e Piaçava perceberam que estavam sendo observados. |

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